Duas em cada cinco lâmpadas
Duas em cada cinco lâmpadas
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Lydia Tchoukovskaya, escritora e crítica, conhece os poemas de Anna Akhmatova (a grande poetisa russa) desde criança...<div> Tinha cruzado o seu caminho várias vezes sem nunca ousar cumprimentá-la. Visitou-a em sua casa pela primeira vez a 21 de novembro de 1938. Apesar do perigo envolvido, Lydia decidiu manter um diário das suas conversas quase diárias. (O livro abrange o período deste primeiro encontro até ao dia da morte de Anna Akhmatova, a 6 de março de 1966.)</div><div> Anna está proibida de publicar, o seu filho está nos campos de concentração, o marido de Lydia foi preso… mas as palavras, a poesia e o humor sustentam-nas perante a História.</div><div><br></div><div> Há o apartamento comunitário com os seus ruídos, o pequeno quarto onde Anna vive, o cinzeiro onde queima os seus poemas depois de Lydia os decorar, os telefonemas de Anna: "Vem, o que me convém está aqui agora", há também a fila à porta da prisão de Leninegrado, Lydia a caminhar em direcção ao apartamento de Anna recitando os seus versos para si própria, Lydia sozinha, os seus pensamentos de uma subtileza excepcional, o funeral de Pasternak... e, claro: "Ela", Anna Akhmatova, uma poetisa que só seria publicada 25 anos depois, mas cujos versos todos sabiam de cor.</div>
